23/11/2010
Há décadas não se via no Brasil tamanha euforia no mercado imobiliário, um dos setores que mais impulsionam a economia de qualquer país. Seja por sua enorme cadeia de produção uma rede com tentáculos que se estendem dos tijolos aos objetos de decoração, seja pela brutal capacidade de gerar empregos e, em conseqüência, renda. Um edifício de apartamentos de 18 andares, o mais comum do mercado, consome investimentos de 20 milhões de reais e dá trabalho a pelo menos 600 pessoas por dois anos. Foram os imóveis que geraram o mais novo surto de expansão dos Estados Unidos e transformaram-se, mais recentemente, no epicentro do medo de uma nova bolha. Foi também o mercado imobiliário que serviu como base do desenvolvimento da Espanha nos últimos 20 anos. No Brasil, o setor vive, hoje, uma conspiração positiva. Ela tem início nas bolsas de valores, ganha força com o interesse de investidores estrangeiros e desemboca no que talvez seja o fator determinante para o crescimento desse mercado o crédito.
Alicerce da economia:
Os países mais desenvolvidos são os que mais estimulam a utilização do financiamento de imóveis (volume de crédito imobiliário em relação ao PIB).
Países desenvolvidos :
Holanda 105%;
Inglaterra 75%;
Estados Unidos 69%;
Espanha 46%;
Países emergentes;
China 11%;
México 11%;
Argentina 4%;
Brasil 2%;
Fonte: Accenture.
Um movimento leva ao outro. Grandes construtoras, como a Cyrela e a Rossi, captaram recentemente centenas de milhões de reais com o lançamento de ações, figurando entre as estrelas na nova fase de expansão dos negócios na Bolsa de Valores de São Paulo. Outras construtoras e imobiliárias estão seguindo o mesmo caminho. O governo, por sua vez, tomou medidas para estimular o setor, boa parte delas reunidas num pacote anunciado em meados de setembro. "Estamos diante de um cenário positivo que não víamos há décadas", diz Wilson Amaral, presidente da Gafisa, uma das maiores construtoras de imóveis do país. A Gafisa foi uma das empresas que aproveitaram a oportunidade de capitalização via bolsa de valores. Com capital disponível, há poucos dias a empresa comprou por 200 milhões de reais 60% do controle da Alphaville Urbanismo, líder na área de condomínios residenciais para a classe média alta. Apenas na cidade de São Paulo foram lançados, no período de outubro de 2005 a setembro deste ano, 250 condomínios de prédios com cerca de 24 000 apartamentos.
Garantir um mercado para esse mar de imóveis e fazer com que a roda da construção civil continue a girar depende de crédito, crédito e mais crédito. E esse dinheiro, voltado para o consumidor final, começa agora a aparecer. Neste ano, somando-se empréstimos dos bancos, recursos da Caixa Econômica Federal e financiamentos mantidos pelas próprias construtoras, a perspectiva é que o mercado de imóveis receba 20 bilhões de reais, 50% mais que em 2005. As projeções de empresas e especialistas do setor indicam que o volume deverá dobrar até o final desta década. Tudo deve ser despejado na classe média, parcela da população com renda suficiente para pagar pelos financiamentos.
A evolução em curso se deve, em boa medida, a uma mudança de estratégia que os bancos estão sendo forçados a fazer. Em busca de alternativas para substituir os lucros obtidos com títulos públicos que caem à medida que os juros são reduzidos, as instituições financeiras têm de par tir para o que é sua principal função nas economias maduras: emprestar dinheiro. Já reforçaram a posição no crédito direto ao consumidor, no crédito pessoal para a baixa renda e no crédito consignado. O financiamento de imóveis é a bola da vez o último grande reduto ainda pouco explorado e também o que apresenta as melhores perspectivas de ganho daqui para a frente. Em outros países, o crédito imobiliário representa metade do dinheiro emprestado pelos bancos. No Brasil, a proporção é de apenas 5% do total. O potencial de crescimento dessa modalidade de financiamento é enorme estimativas conservadoras calculam em 15% ao ano até o fim da década.
"O mercado ainda está apenas se organizando", diz Alfredo Setubal, diretor de relações com investidores do banco Itaú. "Daqui em diante vamos assistir à explosão do crédito imobiliário, com todos os benefícios que o acompanham."
Alicerce da economia:
Os países mais desenvolvidos são os que mais estimulam a utilização do financiamento de imóveis (volume de crédito imobiliário em relação ao PIB).
Países desenvolvidos :
Holanda 105%;
Inglaterra 75%;
Estados Unidos 69%;
Espanha 46%;
Países emergentes;
China 11%;
México 11%;
Argentina 4%;
Brasil 2%;
Fonte: Accenture.
Um movimento leva ao outro. Grandes construtoras, como a Cyrela e a Rossi, captaram recentemente centenas de milhões de reais com o lançamento de ações, figurando entre as estrelas na nova fase de expansão dos negócios na Bolsa de Valores de São Paulo. Outras construtoras e imobiliárias estão seguindo o mesmo caminho. O governo, por sua vez, tomou medidas para estimular o setor, boa parte delas reunidas num pacote anunciado em meados de setembro. "Estamos diante de um cenário positivo que não víamos há décadas", diz Wilson Amaral, presidente da Gafisa, uma das maiores construtoras de imóveis do país. A Gafisa foi uma das empresas que aproveitaram a oportunidade de capitalização via bolsa de valores. Com capital disponível, há poucos dias a empresa comprou por 200 milhões de reais 60% do controle da Alphaville Urbanismo, líder na área de condomínios residenciais para a classe média alta. Apenas na cidade de São Paulo foram lançados, no período de outubro de 2005 a setembro deste ano, 250 condomínios de prédios com cerca de 24 000 apartamentos.
Garantir um mercado para esse mar de imóveis e fazer com que a roda da construção civil continue a girar depende de crédito, crédito e mais crédito. E esse dinheiro, voltado para o consumidor final, começa agora a aparecer. Neste ano, somando-se empréstimos dos bancos, recursos da Caixa Econômica Federal e financiamentos mantidos pelas próprias construtoras, a perspectiva é que o mercado de imóveis receba 20 bilhões de reais, 50% mais que em 2005. As projeções de empresas e especialistas do setor indicam que o volume deverá dobrar até o final desta década. Tudo deve ser despejado na classe média, parcela da população com renda suficiente para pagar pelos financiamentos.
A evolução em curso se deve, em boa medida, a uma mudança de estratégia que os bancos estão sendo forçados a fazer. Em busca de alternativas para substituir os lucros obtidos com títulos públicos que caem à medida que os juros são reduzidos, as instituições financeiras têm de par tir para o que é sua principal função nas economias maduras: emprestar dinheiro. Já reforçaram a posição no crédito direto ao consumidor, no crédito pessoal para a baixa renda e no crédito consignado. O financiamento de imóveis é a bola da vez o último grande reduto ainda pouco explorado e também o que apresenta as melhores perspectivas de ganho daqui para a frente. Em outros países, o crédito imobiliário representa metade do dinheiro emprestado pelos bancos. No Brasil, a proporção é de apenas 5% do total. O potencial de crescimento dessa modalidade de financiamento é enorme estimativas conservadoras calculam em 15% ao ano até o fim da década.
"O mercado ainda está apenas se organizando", diz Alfredo Setubal, diretor de relações com investidores do banco Itaú. "Daqui em diante vamos assistir à explosão do crédito imobiliário, com todos os benefícios que o acompanham."